sábado, 26 de março de 2011

Fumar mata, viver também.


Voltei a fumar desde que partiste, só porque sei que não gostas do sabor quente a nicotina nos meus lábios.
Acalmou-me acender o cigarro, segura-lo entre dedos e ver o fumo escapar-me da boca para o ar frio de Março, como me costumava serenar a tua respiração perto do meu pescoço. Ar quente que te escapava da boca para a minha pele. Rendi-me a este velho hábito para me tornar numa pessoa que não conheças e me definir para lá da saudade que te tenho.
Tem de haver um remédio, tem de existir uma solução. Talvez seja esta falsa sensação de paz ao acender um cigarro sob a cidade, com os amigos, sabendo que haverias de sentir repulsa da minha língua.
Agora tens um motivo para não mais me beijares, assim há justificação para não mais me quereres. Enquanto avisto a cidade agitada e dou voltas às adormecidas memórias que guardo de ti, pergunto-me se também pausas para pensar em mim. Ou no que te podes lembrar de mim, porque hoje me sinto outra mulher.
O tabaco silva-me os avisos de "isto vai-te matar" que sempre me vociferaram, mas respondo-lhe entre dentes que quem me matou foste tu e a tua falsa sensação de amor !!

2 comentários:

  1. Anónimo20:59

    adorei. aliás como sempre!

    E se há paz em ti ao acender o cigarro sob a cidade. então fá-lo! até que a paz venha por si só. sem o cigarro.

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  2. Anónimo21:13

    Adoro a forma como escreves! És muito sincera, mas ao mesmo tempo discreta e subtil!

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