Três metros acima do céu
sábado, 24 de outubro de 2015
Dualidades
Um ano depois continuo a conseguir vestir a minha definição pessoal de doce orgulho. Desbotou um pouco a cada passar de ano, mas é talvez ainda a minha melhor definição.
Continuo ter um orgulho de cinco andares e um coração de oito. O saldo da minha alma ainda vai permanecendo às custas de um coração e de uma razão que se beijam de lábios frios a lembrar madrugadas. Ainda que lobos uivem razões e fantasmas cantem amores, nunca hei-de não ser letal como uma navalha ou cavaleiro em hora de batalha. O meu segredo é este, sou tão dura quanto mole. Antes era só mole, depois tornei-me só dura. Às vezes, declaro guerra em mim, outras tantas tréguas. O alvoroço tal como o novo dia há-de chegar. A poente, a harmonia.
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Aquii !
Estás aqui.
Dizia ele enquanto estendia a palma da mão e a apontava com o dedo indicador.
Foi mesmo aí que percebi que estou onde quero. Mas nunca na mão de alguém.
Por muito que eu quisesse que apontasses para o lado esquerdo do peito e dissesses que eu estava ai. Onde não estou.
Nunca na mão.
Se há coisa que o tempo me ensinou foi a voar. Mesmo que sem destino. Mesmo que sem norte à terra. Mesmo quando quero muito ficar.
Às vezes é só preciso ir. Depois vê-se.
Há tantas mãos à nossa espera. De se fecharem.
Porque haveria de ficar eu na tua, aberta e insegura?
Tenho fobia de metades. Um dia li que «ou a casa incendeia ou ela joga água na chama e te manda embora” e foi mesmo aqui que parei para te dizer que o meu amor-próprio é tão grande que não cabe na tua mão. Por isso vai.
Gostar de ti nunca foi sinónimo de me teres. Porque gostar de ti não é o fim do mundo. Era uma coisa boa. É. Apenas isso. Mas se não é boa a dobrar, dói. E o que dói nunca está certo.
Depois de saber que estava na tua mão, ganhei pernas e fugi.
E agora? Onde me tens?
sexta-feira, 20 de junho de 2014
AMIGOS
Os amigos não são para as ocasiões. Não são para dar a palmadinha nas costas e irem andando com a sensação de dever cumprido. Os amigos nunca têm o dever cumprido. Os verdadeiros amigos vão cumprindo o dever de o serem em todas as ocasiões. Mesmo quando chove. Mesmo quando chove torrencialmente. Os verdadeiros amigos andam na chuva mesmo que isso lhes valha uma constipação terrível. Porque não há constipação que não se cure com um amigo ao nosso lado. E os verdadeiros amigos são-no reciprocamente.
Tenho poucos amigos. Muito Poucos. Isto porque decidi coleccionar amigos interessantes.
Os interesseiros resolvi descartar da minha vida logo à partida. Não há paciência. Não há paciência para sorrir com facas atrás das costas. Não há paciência para me fazer de burra todos os dias e deixar passar em branco os olás cínicos proferidos daquelas bocas que me cumprimentam com desdém a quem as vê nas minhas costas. Amizades cruéis e fúteis coleccionem-nas vocês porque eu não quero amigos assim.
Vendo-os a quem os quiser. Não os dou porque não vos desejo mal nenhum.
Eu não tenho muitos amigos. Mas tenho os melhores.
O meu telemóvel não toca todos os dias. Muitos deles nem toca. Não tenho combinado um café por dia. Mas todos os meus amigos sabem perceber quando preciso de um. Todos os meus amigos são-no porque eu permiti.
Sim. A amizade permite-se. Permite-se. Respeita-se. Rega-se. E colhe-se.
Escrevo-te para te dizer que os amigos não são para as ocasiões. E se permiti que o fosses foi porque acreditei que o fosses ser na mesma medida. Talvez me tenha enganado. Caso contrário, fazes-me falta.
terça-feira, 3 de junho de 2014
Re(encontros)
Não, já não sou aquela menina escanzelada que tu conheceste. O cabelo comprido entraçado? Foi cortado e já nem me lembro de qual é a cor natural dele. Sei que a imagem que tens de mim é a de menina silenciosa, que brincava às escondidas mas quero que entendas que eu não ia ficar sempre guardada nessa caixa de madeira que foste tentando construir à minha volta, esperando que o tempo passasse e mais um dia surgisse.
Cresci - não da melhor forma - mas cresci. Já não me vias há quantos anos? Muitos não é? Eu sei... Agora já saio com os meus amigos, vou a concertos e passo férias longe da minha família. Vejo o trejeito que fazes com a tua cara. É difícil imaginar não é? Desculpa se te desiludi, se destruí a imagem que tinhas de mim ou se simplesmente não consegui corresponder aquilo que sempre idealizaste. Só quero que saibas que eu sou feliz com a pessoa em que me tornei: isso deve bastar para descansar o teu coração e a tua mente.
Sorrio para te descansar e observo-te bem pela primeira vez desde que te reencontrei. Eu mudei bastante mas tu...tu não mudaste nada..
Cresci - não da melhor forma - mas cresci. Já não me vias há quantos anos? Muitos não é? Eu sei... Agora já saio com os meus amigos, vou a concertos e passo férias longe da minha família. Vejo o trejeito que fazes com a tua cara. É difícil imaginar não é? Desculpa se te desiludi, se destruí a imagem que tinhas de mim ou se simplesmente não consegui corresponder aquilo que sempre idealizaste. Só quero que saibas que eu sou feliz com a pessoa em que me tornei: isso deve bastar para descansar o teu coração e a tua mente.
Sorrio para te descansar e observo-te bem pela primeira vez desde que te reencontrei. Eu mudei bastante mas tu...tu não mudaste nada..
terça-feira, 13 de maio de 2014
Há sempre uma primeira vez
Parece que a crise chegou também à auto estima feminina.
Não sei se é por causa das alterações climáticas, mas nunca vi tanta mulher humilhar-se voluntariamente como nos últimos tempos.
Será da alimentação ? Ou das influências perniciosas das novelas ? Inclino-me mais para a hipótese de uma falta de estrutura mental e emocional que faz com que as mulheres "rejeitadas" entrem num looping emocional que as expõe a figuras ridículas, patéticas e inspiradoras de pena por parte dos outros, sobretudo do homem em questão.
Observo mulheres que embarcam em comportamentos psicóticos que incluem insultos diretos, empurrões, difamação ou comentários falsos sobre a eleita por quem a outra parte com quem se envolveram vagamente e nunca lhes prometeu nada se apaixonou.
Entre fazer o luto e desatar a disparar em todas as direcções vai a mesma distância que separa a sanidade da loucura, a boa educação da ordinarice, o bom senso da estupidez e sobretudo a dignidade da humilhação. Nos casos patéticos, sejam eles agudos ou crónicos, o único caminho possível é ignorar. Ignorar que aquela pessoa existe, que insiste em dizer aos quatro ventos que ainda não acabou, de fazer telefonemas lancinantes ou de enviar sms venenosos.
Na verdade, aquela pessoa nunca existiu, porque quando demos pela sua existência ela já pertencia ao passado, e o passado é um lugar estranho onde ninguém vive. E quem insiste em permanecer nele, acabará por enlouquecer sufocado pela teia da sua própria loucura.
Sempre que ouço histórias de mulheres psicóticas com comportamentos patéticos que lutam desesperadamente por um homem que nunca tiveram, dá-me vontade de rir. Uma mulher não luta por um homem; deixa-se conquistar por ele.
O amor não tem nada a ver com guerra, nem com poder, nem com intriga, nem com competição. O amor é paz, segurança, alegria, carinho, riso e entendimento. O amor é feito de amor. E quando não houve amor antes, não é por se atirarem para o chão aos gritos, nem por inventarem doenças fatais ou teimarem em ficar as melhores amigas da irmã, da mãe, da prima, que a realidade vai mudar. O amor é um bem escasso, acontece poucas vezes na vida. Confundir um caso com uma história de amor é o mesmo que confundir verde com encarnado, porque o amor põe tudo preto no branco. E ainda bem.
Não sei se é por causa das alterações climáticas, mas nunca vi tanta mulher humilhar-se voluntariamente como nos últimos tempos.
Será da alimentação ? Ou das influências perniciosas das novelas ? Inclino-me mais para a hipótese de uma falta de estrutura mental e emocional que faz com que as mulheres "rejeitadas" entrem num looping emocional que as expõe a figuras ridículas, patéticas e inspiradoras de pena por parte dos outros, sobretudo do homem em questão.
Observo mulheres que embarcam em comportamentos psicóticos que incluem insultos diretos, empurrões, difamação ou comentários falsos sobre a eleita por quem a outra parte com quem se envolveram vagamente e nunca lhes prometeu nada se apaixonou.
Entre fazer o luto e desatar a disparar em todas as direcções vai a mesma distância que separa a sanidade da loucura, a boa educação da ordinarice, o bom senso da estupidez e sobretudo a dignidade da humilhação. Nos casos patéticos, sejam eles agudos ou crónicos, o único caminho possível é ignorar. Ignorar que aquela pessoa existe, que insiste em dizer aos quatro ventos que ainda não acabou, de fazer telefonemas lancinantes ou de enviar sms venenosos.
Na verdade, aquela pessoa nunca existiu, porque quando demos pela sua existência ela já pertencia ao passado, e o passado é um lugar estranho onde ninguém vive. E quem insiste em permanecer nele, acabará por enlouquecer sufocado pela teia da sua própria loucura.
Sempre que ouço histórias de mulheres psicóticas com comportamentos patéticos que lutam desesperadamente por um homem que nunca tiveram, dá-me vontade de rir. Uma mulher não luta por um homem; deixa-se conquistar por ele.
O amor não tem nada a ver com guerra, nem com poder, nem com intriga, nem com competição. O amor é paz, segurança, alegria, carinho, riso e entendimento. O amor é feito de amor. E quando não houve amor antes, não é por se atirarem para o chão aos gritos, nem por inventarem doenças fatais ou teimarem em ficar as melhores amigas da irmã, da mãe, da prima, que a realidade vai mudar. O amor é um bem escasso, acontece poucas vezes na vida. Confundir um caso com uma história de amor é o mesmo que confundir verde com encarnado, porque o amor põe tudo preto no branco. E ainda bem.
terça-feira, 29 de abril de 2014
Liga(me)
Engraçada a forma como as pessoas se desligam umas das outras. Sem graça nenhuma.
Não gosto de perder pessoas. Não gosto mesmo nada de perder pessoas. Em ocasião alguma. Não gosto de não saber das pessoas com as quais sempre me preocupei, pelas quais fiz o que não pude, das quais tanto gosto. Não gosto de perder pessoas muito menos sem razão. Não gosto. Não faço por isso. Não o mereço. Muito pelo contrário.
Não gosto de silêncios desmedidos. Gosto de silêncio. Não gosto de não saber nada quando quero saber tudo. Ou pelo menos alguma coisa. Não gosto de jogos. Gosto das mãos sobre a mesa. Não gosto da ausência. Quando se torna ausente de mais...
Gosto de reticências. Mas já gostei mais. Gosto de acabar histórias com ponto e virgula.
Gosto que se lembrem de mim. De modo que eu o saiba. Já tinha dito que não gostava de silêncios desmedidos certo? Não gosto que esqueçam os dias bons em prol de mágoas que a mim nunca me disseram respeito. Que me risquem do mapa, quando a dada altura fui o caminho certo. Ou pelo menos mo deram a entender.
Gosto de apertar a mão das pessoas que entram na minha vida e levá-las comigo.
Porque não há erro maior que viver um erro para sempre: perder pessoas importantes para nós.
Não gosto. E por não gostar hoje voltou a ser dia de reencontro para nós... Daqueles que temos a certeza que por muitas virgulas que possa ter nunca terá um ponto final. Porque umas sem as outras ? Falta algo... e não gosto.
sábado, 5 de abril de 2014
sexta-feira, 7 de março de 2014
Para esquecer...
- Que se passa?
- Não aguento mais... tenho estado o tempo todo a aguentar, mas não aguento mais.
(...)
- Valoriza-te miúda! Tu és linda por dentro e por fora!
- Não entendo. Porquê a mim? (...)
- (...) Não chores mais pff.
- Porquê a mim? Porquê? Porquê?
- (...)
- Ele é um cabrão
Foi assim que pela primeira vez na minha vida ouvi alguém admiti-lo. Houve tanta verdade naquela mentira, ou tanta mentira naquela verdade que nem sei bem no que acreditar. Não quis acreditar em nada naquele momento, para ser sincera. Mas tranquilizou-me. Quereria ele dizer que todas as pessoas lindas por dentro e por fora que choram por alguém, é porque esse alguém é um idiota? Culpabiliza-se por todos os idiotas do planeta que me faziam estar ali naquele momento? Não sei bem... Mas obrigada.
- Não aguento mais... tenho estado o tempo todo a aguentar, mas não aguento mais.
(...)
- Valoriza-te miúda! Tu és linda por dentro e por fora!
- Não entendo. Porquê a mim? (...)
- (...) Não chores mais pff.
- Porquê a mim? Porquê? Porquê?
- (...)
- Ele é um cabrão
Foi assim que pela primeira vez na minha vida ouvi alguém admiti-lo. Houve tanta verdade naquela mentira, ou tanta mentira naquela verdade que nem sei bem no que acreditar. Não quis acreditar em nada naquele momento, para ser sincera. Mas tranquilizou-me. Quereria ele dizer que todas as pessoas lindas por dentro e por fora que choram por alguém, é porque esse alguém é um idiota? Culpabiliza-se por todos os idiotas do planeta que me faziam estar ali naquele momento? Não sei bem... Mas obrigada.
Bem longe ouvia a música que se difundia pelas paredes daquele cubículo onde me refugiei do mundo. Não precisava de mais nada. Além de ti, que sumiste, só de chorar.
A vodka circulava-me no corpo, como as lágrimas que me rolavam pela cara. A mil à hora. Os olhos fechavam-se sofregamente intervalados pela magoa de não entender que mal poderia eu ter feito a Deus. Senti-me vazia. Estúpida. Traída pela verdade. Humilhada. Sem forças. Sem norte. Sem chão. Pudera eu arrancar o coração do peito e esquartejá-lo pelo mal que me fazia naquele momento. Pelo mal que me tem feito.
Porquê a mim? Porquê? Porquê?
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Vai ficar tudo bem....
Ela é um misto de mil coisas. É o equilíbrio entre o tudo e o nada. É o adeus e o fica. O avesso é quase sempre o seu lado certo. Ela é mistério; é segredo. Vai deixar-te muitas vezes a pensar que o seu lugar é do outro lado do mundo quando no fundo quer estar o maior tempo possível ao teu lado. Vai corar cada vez que lhe disseres coisas que a deixem embaraçada e olhar os botões do teu casaco quando quiser esconder um olhar triste ou um sorriso secreto. Vai segurar a tua mão como ninguém. Ela adora mãos. Vais perceber isso. Vai encorajar-te a ir sempre que o seu desejo for que fiques. Vai desejar-te sorte quando achar que sorte é tê-la na tua vida. Ela é o medo e a mudança. A incerteza e a confiança. Ela é amor dos pés à cabeça. Ela é frágil quando ninguém está a ver. A sua protecção é a dúvida de há uns tempos para cá. Ela é mar. E chuva, e música.. e silêncio. Ela é jazz, bossa nova, chá e voodka preta. É piano, livros e meia-luz. É chocolate negro e frutas tropicais. É simples e contenta-se com pouco. Mas sempre com o melhor. Ela é distraída, mas aprecia pormenores. Não se vai esquecer do dia em que te viu pela primeira vez nem da mensagem que a deixou a rir para o telefone com o coração na boca. Ou da música que passava naquele momento. Não é romântica, mas sabe surpreender, ou pelo menos tenta. O que já não é mau. É atenta. E por vezes faz-se de desentendida. É mais ouvidos que boca. É ciumenta, mas não conta a ninguém. É ironia e riso fácil. Protectora ao extremo de quem ama, mas desleixada ao máximo com os amigos. Péssima com datas de aniversário. Fria, mas sincera. Vai ser a primeira pessoa a recusar um jantar de sushi, chinês, tailandês ou até mesmo um café. Mas se quiser mesmo ter-te na vida dela montará uma cafetaria se for preciso. Se te quiser mesmo na vida dela, não vai ser fácil, mas vai valer a pena. Ela perdoa mas não esquece. Pensa com o coração e age com a cabeça. E é isso que a trai muitas das vezes. Erra em não querer errar; em pensar de mais no bem dos outros. Em dizer tudo o que sente. Há quem já lhe tenha chamado "a menina com a mão no coração", mas o que é certo é que já foram mais as vezes em que andou com o coração nas mãos.
Ela é vestido preto e salto alto; sweat xxl e ténis rotos. É pé descalço e unhas por pintar. É trabalho e força de vontade. É amor em todas as pequenas coisas que faz. Ela é o ontem e o hoje, porque o amanhã pode não chegar. Não recusa uma boa aventura e é louca o suficiente para fazer tudo o que lhe vai na alma.
Ela é olhar penetrante e beijo na boca. É abraço apertado e segredo no ouvido. É sorriso na boca e tem mil histórias para contar. Reinventa-se todos os dias. Só lhe custa pôr algo na cabeça. Porque quando decide não há retorno. Garanto. É um poço de orgulho e não troca o certo pelo incerto. Mas arrisca sempre que possível. Já acreditou mais no amor eterno. Mas defende-o sempre que pode. Nas adversidades tenta ver o lado positivo das coisas. Mas se tudo correr mal...
Ela acredita que "Vai ficar tudo bem".....
sexta-feira, 26 de julho de 2013
não cheguei a dizer:
há sempre um desconforto na noite que me faz marcar no telemóvel o inicio do teu número. depois paro, paro sempre. tenho saudades tuas. às vezes forço os meus limites e quando os sintomas de cansaço vêm, tendo a amordaçá-los em silêncio. aguento-os. mais tarde acaba por chegar a factura de mingar a cada badalada de meia-noite. e aí dá-me uma vontade danada de te contar as merdas todas onde me meti, de te dizer que estou cansada, de te pedir que pares o mundo um bocadinho para mim. mas não ligo, não te convido para um café, nem te escrevo ainda que saiba que és tu que me guardas as respostas a todas as minhas dores. tenho tirado a tampa do meu tacho e dito a meia voz que estou a ficar cansada, mas ninguém me conhece como tu para me levar a sério, ninguém entende que os floreados da realidade às vezes assustam-me mais do que os veredictos, ninguém sabe dizer-me de uma rajada que eu não sou de ferro enquanto me vê bambalear ao vento, ninguém sabe como tu deixar-me chorar e dizer-me que não faz mal ter medo ao invés de me dizer que têm muita fé em mim e que tudo vai ficar tudo bem. que se dane a fé!
Eu precisava de te escutar de voz dura, um tanto ou quanto desiludida comigo, a elaborar-me planos realistas de acção e a relembrar-me pela milésima vez que eu não posso continuar com a ilusão de ser tão dura quando toda eu sou tão frágil !! Um dia a bolha rebenta. Eu precisava de te ouvir dizer tudo isto de voz ríspida porque não mo posso dizer a mim. tenho tantas saudades tuas. marco o inicio do teu número e depois paro, paro sempre. escolho uma foto em que me olhes nos olhos e escuto-te dentro da minha cabeça. digo-te que tens razão. mas não te ligo porque estás feliz e eu não quero que tenhas de representar o papel de vilã para no fim, me dizeres num sussurro que vamos fazer de determinado jeito porque merecemos finais felizes. que se dane a noite!
Eu precisava de te escutar de voz dura, um tanto ou quanto desiludida comigo, a elaborar-me planos realistas de acção e a relembrar-me pela milésima vez que eu não posso continuar com a ilusão de ser tão dura quando toda eu sou tão frágil !! Um dia a bolha rebenta. Eu precisava de te ouvir dizer tudo isto de voz ríspida porque não mo posso dizer a mim. tenho tantas saudades tuas. marco o inicio do teu número e depois paro, paro sempre. escolho uma foto em que me olhes nos olhos e escuto-te dentro da minha cabeça. digo-te que tens razão. mas não te ligo porque estás feliz e eu não quero que tenhas de representar o papel de vilã para no fim, me dizeres num sussurro que vamos fazer de determinado jeito porque merecemos finais felizes. que se dane a noite!
domingo, 3 de março de 2013
O amor
" Nos anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay. Durante 5 anos viveram num furgão realizando todo tipo de performances. Quando sentiram que a relação já não valia aos dois, decidiram percorrer a Grande Muralha da China; cada um começou a caminhar de um lado, para se encontrarem no meio, dar um último grande abraço, e nunca mais se viram. 23 anos depois, em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque dedicou uma retrospectiva à sua obra. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio com cada estranho que sentasse à sua frente. Ulay chegou sem que ela soubesse e... foi assim."
E são estas coisas que me matam. Este tipo de amor que me aquece demasiado o peito, que me faz chorar e querer o mesmo sentimento para e por mim. Foi um minuto de 23 anos, e só eles sentiram o quanto, por vezes, nem é preciso dizer nada..
E são estas coisas que me matam. Este tipo de amor que me aquece demasiado o peito, que me faz chorar e querer o mesmo sentimento para e por mim. Foi um minuto de 23 anos, e só eles sentiram o quanto, por vezes, nem é preciso dizer nada..
domingo, 30 de dezembro de 2012
Bagagem
Quando o final do ano chega,
gosto sempre de pôr os dias e os momentos na balança. Pesá-los. Ponho o ano em
números arredondados e depois passo para as palavras sempre certeiras. Este ano
porém foi ao contrário, tenho números precisos e palavras arredondadas. Um
balanço feito às prestações. Creio que dois mil e doze foi para mim o ano das
distâncias. Não necessariamente boas, não necessariamente más. Digo creio porque
parte deste ano para mim arrastou-se tanto que o ano me pareceu abarcar três.
Os
dias corriam devagar, demasiado devagar. Quando nos dói alguma coisa, o tempo
sempre anda a passo lento. Foi-me o ano das saudades, das ausências e dos
vazios. Foi só talvez o único em que não iniciei triagens e não fui de um
extremo ao outro num segundo. Acumulei. Em casa, nas gavetas, na cabeça, no
coração. Fuligem. Poeira. Foi o ano em que fiquei mais do que parti, em que fui
mais consistente comigo mesma como uma colher em pé numa sopa grossa. E talvez
por isso, tenha sentido a falta do burburinho, aprendido a palavra solidão e
tenha tido obrigatoriamente que engolir a palavra prioridades, aprendê-la. Foi
um ano em que revi conceitos, e em que não me recordo de ter rido mais que chorado, mas sei que o fiz, simplesmente não foi um ano ruidoso, foi um ano de
momentos ruidosos mas na maioria foi-me um ano de silêncio. Sinto agora falta
desses ecos.
Para mim, dois mil e doze foi-me um ano morno a roçar o
estranho, essa é a verdade. Quando olho para trás, sei que comecei o ano com uma
tranquilidade e um espírito cheio que soavam a estabilidade, talvez tenha parado
por um momento para desfrutar dela e isso tenha sido o meu erro, anunciaram-me
quase de seguida que esta não me pertencia. Dois mil e doze foi-me instabilidade
antes do final do primeiro mês. Voltei a riscar a expressão viver com do
meu dia e substituí-a por coabitar. Coabitei muito, a roçar os limites da
saturação. Foi um ano em que as pessoas me foram frias, em que salas e ruas me
pareciam mais geladas que o cenário da idade do gelo, em que foram mais ogres
que o shrek. Há pessoas que percebem menos de laços do que eu que fujo deles a
sete pés depois de uns quantos passos em frente. Foi um ano em que a minha
cólera foi superada pela minha maturidade e distribuí umas quantas lições para
quem as soube apanhar. Fiquei surpreendida com isso, com essa maturidade. Às
vezes, não a esperava. Orgulhei-me disso. Envolvi-me em projectos que me
ensinaram muito, muito mesmo. Escrevi menos aqui, mais noutros sítios, mas ainda
assim menos. Talvez tenha sido mais tripas que poesia e lembro-me de dizer a
dada altura, quero pensar, explodir, digerir, mas ainda não é a hora.
Estou mais transparente, mais frágil talvez por isso
seja mais resistente, aprendi este ano que sentir não é fraqueza, por isso não
desgosto desta minha nova condição. Assusta-me um bocadinho confesso, mas não
desgosto. Fiquei muito triste, senti-me sozinha a precisar desesperadamente de
um abraço. E tive medo. Estava habituada a desfrutar de solitude, solidão era
uma coisa nova. Senti-me a cair numa espiral de desânimo. Depois dei a volta.
Não tenho mais medo de estar sozinha temporadas a fio. Há lugares que não têm
ninguém que nos interesse, temos de aceitá-lo. Acabei com as pessoas de merda na
minha vida, assim a cru. Peguei no telemóvel e fiz-lhe um reset num dia ao
acaso, senti que foi o fim de um percurso e precisava de um gesto. Depois
respirei, soube-me a liberdade. Não podemos ser livres com o passado a
prender-nos, sabem?
Eu sou pelos cadastros mas pelas amarras não. Não tenho medo
de estar sozinha, repito. Já percebi que não podemos criar expectativas porque,
afinal, ninguém vai mudar. Podemos moldar-nos, mas mudar-nos é coisa em que
tenho pouca fé. Então perdoem-me mas eu sou pelas casas, pelas pessoas-casa de
cada um. As conversas de circunstâncias e os fretes podem ser o sustento de
muitos mas o meu não são. Não tenho mais medo de estar sozinha, porque no fundo
sei que nunca o estou. Não tenho de tal modo medo agora que de tempos a tempos
retiro-me do mundo em surdina. O saldo foi-me esse, um prazer secreto, esse, de
enfrentar multidões a sós. Para mim o mais difícil talvez tenha sido mesmo fazer
as malas e partir. Pensar que com o léxico e a sintaxe ia metade de mim embora,
porque eu sou palavras dos pés até às pontas dos cabelos. Então, descobri mais
uma vez que consigo adaptar-me às mais diversas coisas, que a falta de
musicalidade das palavras, faz-me os olhos mais atentos. E o obturador da
máquina menos preguiçoso. Senti saudades de coisas e pessoas que estava longe de
imaginar que as iriam povoar, a elas, às saudades. E senti falta da palavra
saudade mais do que qualquer outra. Descobri que consigo ser eu sem palavras
porque o meu corpo expressa-se bem até num silêncio ensurdecedor, mas não sou
capaz de alvitrar que imagem têm de mim essas pessoas que me conhecem sem elas,
porque eu sem as minhas palavras acho-me menos.
Descobri que já não sou tão
indignada, que desisti de falar quando ninguém quer ouvir, talvez isto queira
dizer, que escolho agora melhor as minhas batalhas, que já não tenho uma sede
ávida por travar guerras. Sou antes aquela que se apaixonou pelos regressos, que
cheira as paisagens e sorri serenamente, que aprende a cada dia a descomplicar e
tende a aceitar cada vez mais as voltas e curvas que a vida vai fazendo nessa
pista de gelo, sem questionar a dança dos patins. Sou muito agora da paz de
espírito com bulício nos cabelos e do porque não? Dois mil e doze foi-me assim
dosagem errada nos temperos.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Jogo da moeda
Contigo tive, durante meses, vida dupla. Habituei-me a pôr uma peruca e uma máscara e vivi uma vida contigo que não a mesma que comigo. Entende-me, esqueci-me de quem era e tornei-me quem querias que eu fosse. Se me querias loira, fui morena para com todos os outros. Quando me quiseste magra, engordei vergonha de ti e emagreci de auto-consideração. Se me querias bonita - porque foi requisito teu - fui-o mais para com todos os outros. Entrei num jogo doentio, beco sem saída, fui dois lados de uma só moeda. Fui pau de dois gumes, assassinei-me por um amor cego - o teu. «Cego», sim, porque nunca me viste realmente. «Amor» já não o sei tão seguramente. Querias-me coroa, vias-me rainha, e eu só te queria mostrar a cara. Deixar que me caísse a máscara e revelar-te os meus caracóis castanhos, o meu corpo a nu. O meu - e não o que vi transformado por ti. Para ti. Contigo. Hoje encaro o espelho e estaco assustada com o meu próprio reflexo. Entende-me, esqueci-me de quem sou
terça-feira, 27 de março de 2012
Amigos da onça
Amigos da onça são como bolas saltitonas. Dão-se com quem convém, sugam-lhes o que podem e pouco é o que dão em troca. Amigos da onça, vejo eu por aí aos pontapés e distingo-os à distância, felizmente.
Sempre dei muito pouco de mim. E hoje - apesar de achar que podia estar melhor no campo -, dou razão ao meu pai. À partida é sempre tudo muito cor de rosa, como as rosas, depois vais aprofundando o conhecimento e tau, mesmo em cheio, vão-te espetando as farpas da amizade cruel. Na primeira nunca aprendes e tendes sempre a vingar-te: depois coleccionas picos.
A verdade é que ás vezes também me sinto triste por não ter muitos a quem ligar para tomar café, mas antes isso do que virar pregadeira de alfinetes e coleccionar amigos que nunca serão dignos desse nome.
Sempre dei muito pouco de mim. E hoje - apesar de achar que podia estar melhor no campo -, dou razão ao meu pai. À partida é sempre tudo muito cor de rosa, como as rosas, depois vais aprofundando o conhecimento e tau, mesmo em cheio, vão-te espetando as farpas da amizade cruel. Na primeira nunca aprendes e tendes sempre a vingar-te: depois coleccionas picos.
A verdade é que ás vezes também me sinto triste por não ter muitos a quem ligar para tomar café, mas antes isso do que virar pregadeira de alfinetes e coleccionar amigos que nunca serão dignos desse nome.
domingo, 25 de março de 2012
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