quarta-feira, 31 de março de 2010

Comparações

A vida é, para mim, como as carruagens do metro… Enquanto percorremos a linha da vida, vão entrando e saindo pessoas. Das que entram, uma esmagadora e assustadora maioria acaba por sair, facto do qual não temos plena consciência até que um dia nos sentamos no sofá a ver álbuns de fotografias e a recordar o passado. Quanto a essas mesmas pessoas que saem da nossa carruagem… Bom, esse é o caso mais doloroso. Na sua maioria, saem despercebidamente, pois não nos são essenciais. Mas há uma minoria, pessoas que nos foram especiais em qualquer momento ou fase da nossa vida, que infelizmente acabam também por sair. Destas que saem, muitas são as que não voltam a entrar, embora haja as suas excepções. Existem, não obstante, algumas que voltando a entrar… não se voltam a sentar no mesmo lugar, e esta é a regra sem excepção. E escrevendo isto, sinto-me a rever todos os anos da minha vida, em género de momento flashback, nos quais pessoas importantes foram entrando inesperadamente… e saindo… inesperadamente. Enquanto oiço as músicas que me fazem lembrar, cada uma, um momento específico da minha vida, vou recordando algumas pessoas que saíram e que não voltaram a entrar. Infelizmente para essas pessoas posso não ser nada, mas não é o que os outros sentem que me move, mas aquilo que eu sinto, e só por isso, estou de consciência tranquila.
E hoje vinha uma rapariga a chorar no metro. As pessoas passam e nem reparam. Querem fugir do sofrimento a todo o custo. É humano. Eu revi-me naquela dor; as mesmas lágrimas e a mesma tristeza de quem sofre uma desilusão. Também eu, em tempos, chorei assim como ela, num transporte público sem me importar com mais nada nem ninguém. Faz parte. Depois a vida segue o seu rumo. Assim como a viagem de metro que ela fez para chegar ao lugar onde queria, na vida também temos de passar por todas "as estações", pois não há outra forma mais rápida de chegar ao destino. A vida é sempre o que tem de ser, com diria o escritor. E o que tem de ser é o direito absoluto da condição humana - a felicidade.

2 comentários:

  1. Anónimo13:24

    Não imaginas o quanto me identifiquei com este texto hoje, mais do que sempre, ainda por cima com a analogia ao metro. Adorei
    Inês

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  2. Anónimo13:33

    E a cada estação as pessoas mudam... mas algumas ficam até ao final da viagem

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